Eu e a região Sudeste - parte 3

 Eu e a região Sudeste – parte 3

Olá! Eis o nosso terceiro (e maior) texto sobre a região Sudeste. Ele trará as análises acerca do último tópico do texto 2. Vamos (re) começar.

A São Paulo antes de ser metrópole!

No texto passado vimos que as áreas onde nasceu a cidade de São Paulo eram habitadas pelos guaianases, uma das muitas etnias indígenas exterminadas durante o período de colonização e conquista da América pelos europeus.

São Paulo é a segunda das quatro capitais sudestinas a surgir. Aliás, a tabela abaixo deve ser copiada em seu caderno.

  Capital

Data de Fundação

Belo Horizonte (MG)

12 de dezembro 1897

Rio de Janeiro (RJ)

1º de março de 1565

São Paulo (SP)

25 de janeiro de 1554

Vitória (ES)

8 de dezembro 1551

Como dito nas aulas, priorizaremos a análise da história de São Paulo.

São Paulo dos Campos de Piratininga surge como um colégio jesuíta

A chegada dos jesuítas ao Brasil Colônia tinha um claro objetivo: catequizar os indígenas, principalmente as crianças. A ideia era expandir o catolicismo em épocas de questionamento da doutrina católica em solo europeu, bem como doutrinar os “negros da terra”, como eram chamados os indígenas pelos colonizadores.

No dia de São Paulo, em 25 de janeiro, doze padres jesuítas, dentre os quais Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, no alto de uma colina escarpada, estrategicamente localizada entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, fundaram o colégio, uma das primeiras construções efetivamente portuguesas no planalto de Piratininga. Nascia São Paulo.

Piratininga é uma palavra de origem indígena que significa “peixe seco”. E o porquê de a região receber esse nome?

Rios de planalto, como os inúmeros que existem na região da cidade de São Paulo, possuem ciclos claros: um, onde as águas correm pela calha do rio, e outro, de cheia, onde as águas inundam as margens, chegando a quadruplicar a largura do rio! É uma explosão de vida!

Os peixes, sem saber que estão em áreas que logo secarão, exploram as novas áreas, inundadas pelo rio. Mas logo aquela área começa a secar, formando uma lagoa. E a lagoa vai secando, as aves e outros animais se fartando com os peixes presos, que não conseguiram voltar para o rio... É tanto peixe, que os que ficam, secam sob o Sol...

Aliás, a prática em se secar os peixes para depois se alimentar deles era muito utilizada pelos indígenas, bem como pelos primeiros habitantes do Brasil. E uma curiosidade!

 Uma das muitas representações de São Paulo antes da chegada dos portugueses.

O rio Tamanduateí recebe esse curioso nome, também indígena, pelo processo descrito acima, porém com a participação de novos personagens. Veja o desenho esquemático a seguir e maravilhe-se com a vida selvagem que existia no que hoje recebe o título de uma das cidades mais poluídas do mundo...

Não é errado pensar que a cidade de São Paulo e os municípios circunvizinhos tiveram seu início às margens do rio Tamanduateí.

"A 25 de Janeiro do Ano do Senhor de 1554 celebramos, em paupérrima e estreitíssima casinha, a primeira missa, no dia da conversão do Apóstolo São Paulo e, por isso, a ele dedicamos nossa casa!".

(José de Anchieta).

Segunda curiosidade. Santo André, outrora chamada de Santo André da Borda do Campo, foi a primeira vila fundada no planalto de Piratininga, em 8 de abril de 1553, pelo então português João Ramalho, sendo este profundo conhecedor da cultura indígena e essencial na formação dos primeiros vilarejos no planalto paulista. Não à toa, o lema do brasão de Santo André é: Paulistarum Terra Mater, a terra-mãe dos paulistas!

Óbvio que esse processo de ocupação do planalto de Piratininga, bem como de outras regiões do Sudeste, não foi feito na base do diálogo e respeito aos povos originários. Se houve uma região do Brasil Colônia onde os indígenas foram escravizados, violentados e exterminados, essa região foi o Sudeste.

Nesse processo temos a presença dos bandeirantes, verdadeiros desbravadores dos sertões paulistas, mas que não relutavam em capturar e escravizar indígenas, independente da idade.

Tanto as Guerras Justas quanto as Expedições de Apresamento, realizadas em grande parte pelos bandeirantes paulistas, tiveram papel de destaque na consolidação da escravidão indígena. As Guerras Justas se davam quando a Coroa Portuguesa autorizava o ataque a tribos indígenas que haviam atacado vilas e colonizadores; ou à índios que praticavam rituais antropofágicos e não se submetiam ao domínio português. Muitos dos índios morriam nesses conflitos, mas aqueles que eram capturados se tornavam escravos. Já as Expedições de Apresamento eram diretamente feitas para capturarem indígenas e torná-los trabalhadores escravos.

E então os bandeirantes descobrem as jazidas de ouro

Já na chegada dos primeiros portugueses ao planalto de Piratinga um foco era claro: encontrar metais preciosos. Algumas pedras foram encontradas nas áreas próximas ao Pico de Jaraguá, ainda no começo do século XVI, mas nada que pudesse indicar uma considerável quantidade.

Com as bandeiras, claramente organizadas para explorar as áreas interioranas do Brasil Colônia (acredite, até o final do século XVI Santo André e São Paulo eram quase as únicas vilas interioranas do Brasil), os sertanistas, também chamados de bandeirantes, encontraram, no que viria a ser a região de Minas Gerais, ouro. E isso no final do século XVII, mais precisamente em 1690.  

As mudanças, a partir desse momento, foram inúmeras. Segue uma breve lista:

- O que era a região mais pobre da colônia portuguesa na América, São Paulo, graças ao ouro descoberto em Minas Gerais, passou a despertar a curiosidade e atenção da Coroa Portuguesa;

- por isso, em 3 de novembro de 1709, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, quando foram compradas, pela coroa portuguesa, a Capitania de São Paulo e a Capitania de Santo Amaro de seus antigos donatários.

- Em 11 de julho de 1711, a Vila de São Paulo foi elevada à categoria de cidade. Logo em seguida, por volta de 1720, foi encontrado ouro, pelos bandeirantes, nas regiões onde se encontram hoje a cidade de Cuiabá e a Cidade de Goiás, fato que levou à expansão do território brasileiro para além da Linha de Tordesilhas;

- Em 1763 o Rio de Janeiro passou a ser a capital do Brasil; o ouro chegava à Europa a partir do porto carioca.

Fato é que, assim como as transformações ocorreram em tempo recorde após a descoberta do ouro, o ciclo aurífero se encerrou no final do século XVIII. Teve início a expansão da cana-de-açúcar pelo interior paulista, bem como o estabelecimento das primeiras vias mais modernas ligando São Paulo ao litoral paulista, como a conhecida Calçada do Lorena, uma referência ao governador-geral da Capitânia na época, e que ordenou a construção da mesma, Bernardo José Maria de Lorena (1756 – 1818).

 Uma das vistas da Calçada do Lorena!

Agora, era a cana-de-açúcar que começava a ser escoada para o Porto de Santos.

O processo de produção de açúcar na região Sudeste obviamente que não tinha a opulência registrada no Nordeste brasileiro. Mas os litorais fluminense e capixaba já tinham uma considerável produção desde o final do século XVI.

Em nosso próximo texto abordaremos o ciclo do café, bem como outros fatos históricos de extrema importância sobre a região Sudeste. Mas antes, terminemos com as seguintes observações, fundamentais inclusive:

- A maioria dos rios do Sudeste são rios de planalto, muitos dos quais nascendo nas regiões da Serra do Mar e correndo pelo interior;

- Desde o início da sua história, o Sudeste foi uma região de imigrantes, recebendo na época da mineração uma enorme porcentagem dos escravos africanos;

 - dos ciclos econômicos brasileiros, e que podem ser acompanhados na tabela abaixo, é possível afirmar que a região Sudeste só não esteva associada ao ciclo da borracha.

 Exercício de revisão

Faça uma pesquisa sobre João Ramalho. As melhores tornar-se-ão bônus na média final.

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