Eu e a região Sudeste - parte 4
Eu e a região Sudeste – parte 4
Olá! Eis o nosso quarto texto sobre a região
Sudeste. Vamos mergulhar em diversos assuntos, começando...
A região Sudeste e o ciclo do café
Podemos afirmar que o café já era cultivado em larga escala na região do Vale do Paraíba, tanto
nas áreas paulista quanto fluminense, desde o final do século XVIII e início do
XIX. Mas a produção de açúcar só assumiu o destaque pelo qual ficou conhecida
após a independência do Brasil, ou seja, após 1822.
A base da produção cafeeira adotou aquele mesmo modelo: grandes propriedades,
presença majoritária do trabalho escravo, voltada ao mercado externo, e sem
grandes inovações, o que explica sua decadência no final do século XIX. Veja o
relato abaixo, indicando a derrubada da Mata Atlântica para o plantio de café.
“O trabalho foi duro. Os machados
cantaram de sol a sol nos troncos das perobeiras[1]; o escurecer, ouvia-se o grito de alerta
e, logo depois, a árvore pendia para o lado, desabava com estrondo, alarmando o
silêncio da floresta. Centenas e centenas de troncudos jacarandás[2] tiveram o mesmo fim.
Para trás, em pé, só ficou um pau-d’alho[3], como padrão de terra boa. (...) Era ali,
naquela copa diluída no céu, que pousavam maitacas e tiribas[4], em bandos tão espessos
que toldavam[5] a limpidez das tardes. Ao
escurecer, o sabiá-coleira cantava a tristeza do sertão”[6]
Essa gravura, feita por Rugendas, mostra o que o relato acima nos contou.
Nas cidades paulistas havia pouquíssimo emprego, e toda a economia
girava entorno das fazendas de café. Aliás, havia fazendas que reuniam muito
mais moradores do que cidades inteiras do Brasil nesse período. Algumas
fazendas tinham mais de mil pessoas vivendo nelas.
Essas primeiras fazendas foram
instaladas na região entre Minas Gerais e São Paulo, sendo iniciadas por
comerciantes, tropeiros ou mineradores, que dispondo de dinheiro investiam na
formação dos cafezais. Como escrito acima, a região do Vale do Paraíba, antes
coberta pela exuberante Mata Atlântica, dava vez às fazendas de café.
As “cidades-fazenda” eram realmente o mundo dos brasileiros nesse
período.
Uma fazenda de café do século XIX. Óleo de Johann Georg Grimm (1846 –
1887).
No decorrer do século XIX uma série de fatores transformaram a produção
cafeeira no sudeste brasileiro. Transformaram o Brasil.
A chegada dos imigrantes
Por ser um assunto já abordado, não
retomaremos os esforços do governo brasileiro em “branquear” a população
brasileira. E a partir da segunda metade do século XIX, com a aprovação das primeiras
leis abolicionistas, houve um enorme incremento no número de imigrantes que
chegaram ao Sudeste, muitos deles para trabalhar nas lavouras de café.
Café sendo embarcado no porto de Santos. Toda uma teia logística foi construída para que o café saísse das suas áreas de produção e chegasse até o porto paulista.
Nesse contexto, a fundação de estações de trem, como a de São Caetano,
bem como a chegada de imigrantes italianos à região, ajuda a entender a
dimensão desse processo. Não à toa, São Caetano possui uma clara relação com
esses imigrantes italianos, bem como o bairro ao lado da estação chama-se São
Caetano.
Milhões de imigrantes, a maioria europeus, chegaram ao Sudeste entre 1880 e 1930.
Sudeste das indústrias
Foi entre as décadas de 1950 e 1970, através das chamadas políticas
desenvolvimentistas dos governos federais, que o Sudeste viu a chegada dos
primeiros grupos multinacionais. A região do ABC é a prova viva disso, sendo que
é muito difícil que não tenhamos em sala de aula um ou mais alunos cujo os pais
trabalham em grandes montadoras, metalúrgicas, ou empresas que fornecem
materiais para as fabricantes de veículos.
E, dessa vez, quem veio para trabalhar nessas fábricas era o migrante
nordestino, muitas vezes desempenhando outras funções, como o trabalho na
construção civil, em obras de infraestrutura. São Paulo torna-se a maior cidade
nordestina fora do Nordeste. E a música abaixo nos dá ideia da intensidade e os
problemas enfrentados pelo migrante.
1) Escreva duas características da produção cafeeira no Sudeste
brasileiro.
2) Analise a música “Cidadão”, composta por Lucio Barbosa e cantada por
Luiz Gonzaga.
[1] Designação comum a várias espécies de árvores. Tais
árvores tiveram suas madeiras utilizadas na construção de móveis e suportes
para as casas.
[2] Outra espécie de árvore que, assim como as perobas, era
de grande porte.
[3] Mais uma espécie de
árvore. Sua ocorrência era tida como indício de que a terra era fértil.
[4] Tanto maitacas quanto tiribas são espécies de
psitacídeos, pássaros da família dos papagaios e araras
[5] Cobriam. Ou seja, eram tantas que cobriam os céus.
[6] Afonso Schimidt, A Marcha in Toledo, Vera Vilhena de. Sua Majestade o café/ Vera
Vilhena de Toledo, Cândida Beatriz Vilares Gancho. – São Paulo: Moderna, 1992 –
(Coleção Desafios); p. 23.




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