Eu e a região Sudeste - parte 2

 Eu e a região Sudeste – parte 2

Olá! Em nosso primeiro texto sobre a região Sudeste vimos alguns dados básicos acerca da região mais populosa do nosso país. Fizemos inclusive um pequeno recorte de como era a região Sudeste lá no século XIX.

Pois bem, no presente texto mergulharemos efetivamente na história de formação da região Sudeste, trazendo alguns dados muito importantes, inclusive sobre a história que formou o município de São Caetano do Sul.

A história do Sudeste

Se fossemos nos limitar a um breve e conciso resumo, poderíamos definir que a região Sudeste começou a ser colonizada pelos portugueses já no século XVI, mais especificamente em 1532. Isso porque esse é o ano da fundação da primeira vila portuguesa no Brasil, a vila de São Vicente, tema inclusive do nosso álbum de figurinhas.

Compete afirmar, no entanto, que a grande leva populacional que começou a ocupar a região Sudeste se deu como consequência da descoberta de grandes jazidas de ouro em Minas Gerais, e isso durante o século XVIII. Desse momento em diante, o Sudeste passava a ser um dos centros americanos que mais receberiam imigrantes, bem como escravos.

Isso explica porque a cidade do Rio de Janeiro, por onde escoava o ouro, passou a ser a capital do Brasil. E durante boa parte do final do século XIX, bem como início do século XX, foram as lavouras de café que transformaram São Paulo no maior centro econômico do Brasil.

Mas vamos olhar essa história com mais detalhes.

O Brasil começou no Sudeste?

No início do século XVI mares e oceanos eram campos de intensas disputas militares e comerciais entre as nações europeias. A pirataria (oficializada em alguns países), bem como a descobertas de jazidas de ouro e prata no que convencionou-se chamar de Novo Mundo, a América, abriu caminho para a imediata necessidade de os portugueses efetivamente colonizarem o Brasil. E tal processo teve início pela fundação da primeira vila portuguesa, a cidade de São Vicente, no litoral paulista.

Para os portugueses, o Brasil começou na vila de São Vicente, fundada em 1532. Hoje São Vicente é um dos municípios que compõem a Baixada Santista. Ao lado, uma foto de São Vicente atualmente!

Mas, tirando esse fato de grande importância, até o começo do século XVII a região Sudeste era uma área de pouco interesse para os portugueses.

Durante a viagem ao Brasil, os portugueses combateram e capturaram alguns navios franceses em águas brasileiras, bem como exploraram o rio da Prata, no sul do continente americano. Sabemos que a exploração desse rio foi um dos principais motivos da viagem de Martim Afonso de Sousa, já que se acreditava ser o Prata um dos caminhos para as regiões ricas em metais preciosos da América andina. Cerca de um ano depois de sua partida de Portugal, Martim Afonso de Sousa fundou, em janeiro de 1532, a vila de São Vicente, o primeiro núcleo efetivo dos portugueses no Brasil.

Martim Afonso chegou à colônia com poderes judiciais sobre os demais homens que auxiliariam na colonização, bem como sobre os nativos e portugueses que habitavam o Brasil. Também ficou sob sua responsabilidade a missão de criar cargos judiciários e administrativos, necessários para o processo de colonização, e iniciar a distribuição de terras entre os colonizadores.

Ao redor da vila fundada por Martim Afonso de Sousa foram se organizando os primeiros engenhos de açúcar – base econômica do início da colonização.

Vários fatores justificam a escolha da cana-de-açúcar como mercadoria a ser produzida na colônia. Portugal já havia iniciado a produção de açúcar, através do cultivo da cana-de-açúcar, antes do descobrimento do Brasil. O açúcar português era produzido nas ilhas de Madeira, Açores e Cabo Verde. Portanto, não se tratava de uma atividade agrícola e comercial desconhecida. Atrelado a isso está o fato de que o açúcar se tratava de uma especiaria, “dono” de um mercado em expansão na Europa. Mas um dos fatores mais determinantes foi a semelhança entre os climas e condições ecológicas das ilhas atlânticas e do Brasil, principalmente do nordeste brasileiro, muito favoráveis ao plantio de cana-de-açúcar.

A fundação dos engenhos de açúcar tinha como objetivo povoar a colônia e assegurar a posse para os portugueses. Os engenhos se encaixavam no sistema econômico das plantations, ou seja, extensas plantações de um determinado gênero agrícola – no caso, a cana-de-açúcar –, produzindo mercadorias que fossem exportadas para o mercado europeu. Em decorrência desse sistema, as plantations (fica clara a intensa relação entre relação cultivo da cana, o engenho e a plantation, bases do processo colonizador português) faziam com que em todas áreas onde fossem implantadas, a policultura se tornasse atividade de caráter secundário e extremamente restrito.

Reprodução de um engenho de açúcar instalado na colônia.

AS CAPITANIAS HEREDITÁRIAS

Para efetivamente colonizar a grande extensão colonial, a monarquia portuguesa escolheu o sistema de Capitanias Hereditárias, que já havia sido utilizado, com relativo sucesso, em algumas outras áreas coloniais de Portugal. A chegada de Martim Afonso de Sousa oficializou o início da montagem do sistema colonial, fazendo com que as terras fossem divididas em 15 lotes, doados a 12 capitães donatários (portanto, houve casos de donatários que receberam mais do que um lote). Esses capitães assumiriam a responsabilidade – quase que em todas as esferas – de fazer com que a colonização de seus lotes ocorresse e que esses se tornassem rentáveis do ponto de vista mercantil. Os cargos de donatários eram vitalícios e hereditários. Voltaremos a falar dos capitães donatários.

O processo de ocupação de um lote era, de fato, oneroso e complicado. Buscando “convencer” os donatários a assumirem suas Capitanias, a Coroa Portuguesa criou uma série de vantagens, entre as quais o fato de os donatários terem o direito de escravizar as populações indígenas, desde que enviassem à Coroa Portuguesa uma parte da renda conseguida nesse comércio, bem como alguns escravos indígenas. Os donatários poderiam doar sesmarias - lotes de terras - a quem se interessasse em cultivá-los. No entanto, a doação só poderia ser feita aos cristãos portugueses. A distribuição de terras ficava sob a responsabilidade do donatário, o que não quer dizer que o mesmo fosse proprietário das terras. Todas as terras das Capitanias Hereditárias pertenciam ao rei português. Os donatários atuariam como administradores das terras reais. 

A princípio, a Coroa Portuguesa havia “convidado” membros da alta nobreza para se tornarem donatários na nova missão colonizadora em que Portugal embarcara. O desinteresse foi tanto, que a Coroa Portuguesa fez dos militares e navegadores ligados ao comércio oriental alguns dos seus capitães donatários. O maior ônus para os capitães donatários estava no fato de que grande parte da colonização se daria por investimentos próprios, e a grande maioria desses homens não possuía capital suficiente para tocar um projeto de tal envergadura. 

Muitos donatários – inclusive o donatário Martim Afonso de Sousa -, no intuito de iniciar a colonização de seus lotes, buscaram fazer empréstimos de banqueiros e negociantes – principalmente judeus - de Portugal e da Holanda. Mesmo assim, uma significativa parcela desses homens nunca chegou a pisar na colônia. Um dos maiores receios estava no fato de que o capital aplicado nos lotes não gerasse o devido retorno. E dos que chegaram a iniciar a colonização dos lotes recebidos, poucos foram os que obtiveram sucesso. O fracasso vinha por diversos motivos: terras inóspitas, índios hostis, distância entre as capitanias, dificuldade em defender as vilas etc.

As Capitanias Hereditárias.

Fato é que nesse primeiro momento, a região Sudeste ficou, na verdade, em uma espécie de abandono. Terras muito distantes da Europa, presença de um relevo (Serra do Mar) que mostrava ser bem difícil a transposição para as regiões interioranas. Colonos que, por vezes, viviam com usos e costumes dos povos originários, o que, nem de perto, era a intenção da Coroa Portuguesa.

Um exemplo típico era a vila de São Paulo de Piratininga, hoje cidade mais importante do nosso país.

A São Paulo antes de ser metrópole!

Poderíamos aqui tratar de outras capitais da região Sudeste, mas optamos por São Paulo, seja pelo fato de ser a capital do nosso estado, seja porque exemplifica bem o que foi a ocupação da região Sudeste.

Válido lembrar que não retomaremos aqui a questão dos povos originários da região, posto que já tratamos desse assunto em outros textos.

Cabe tão somente salientar que os principais habitantes da área que hoje compõe a capital eram os guaianases, habitando também as áreas do Vale do Ribeira (sudeste paulista). Eram caçadores-coletores, com hábitos nômades. Curiosamente, os guaianases não habitavam em ocas, mas sim em covas, forradas com peles de animais e ramas. Repetindo que ocorreu com muitas etnias, no século XIX, não havia mais nenhum integrante da tribo dos guaianases. Eles foram extintos.  

Em nosso próximo texto veremos a fundação da cidade de São Paulo pelos portugueses.

Exercícios de revisão

1) Escreva duas características do início da colonização portuguesa no Brasil.

2) Escreva o significado da palavra “bandeirantes”.

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