Eu e a região Nordeste – parte 4

 Eu e a região Nordeste – parte 4

Olá! Chegamos na parte em que trataremos da história da região Nordeste.

A história do Nordeste

Tratar da história da região Nordeste é tratar dos primórdios da colonização europeia, especialmente portuguesa no Brasil.

Não há dúvidas que nosso país foi descoberto pelos portugueses no litoral nordestino, e que os primeiros processos de exploração se deram na costa nordestina. Válido lembrar também que a primeira capital do Brasil Colônia foi Salvador, e que até meados do século XVIII o Nordeste era o centro financeiro do Brasil, e uma das regiões mais ricas do império português. Isso porque a Capitania de Pernambuco foi o principal centro produtivo da colônia, em especial no ciclo do açúcar, e Recife a cidade de maior importância econômica.

Mas antes mesmo da chegada dos portugueses, o Nordeste já apresentava um papel fundamental na formação da história brasileira.

Basta lembrarmos dos achados arqueológicos espalhados por diversas regiões nordestinas, com especial destaque para o local com a maior quantidade de pinturas rupestres do mundo! São milhares de desenhos no Parque Nacional Serra da Capivara (imagem), no Piauí. Há desenhos de muitas cores, formas e representações. Alguns no teto das cavernas, a dez metros de altura.

Vimos e estudamos também que no momento da chegada dos europeus ao Brasil, o litoral nordestino era habitado por diversas etnias indígenas, em sua maioria falantes de línguas tupis.

Agora, tratar do Nordeste no período colonial é falar majoritariamente do início da colonização, da exploração do pau-brasil, bem como do ciclo da cana-de-açúcar.

O Nordeste no período colonial

Graças à proximidade com a Europa, e um clima mais próximo ao das ilhas atlânticas, já colonizadas, o Nordeste brasileiro foi a área mais amplamente explorada e onde fomentou efetivamente a estrutura dos engenhos produtores de açúcar.

Representação de um engenho de açúcar do período colonial. Dê uma olhada na evidente relação com o trabalho escravo.

Vários fatores justificam a escolha da cana-de-açúcar como mercadoria a ser produzida na colônia. Portugal já havia iniciado a produção de açúcar, através do cultivo da cana-de-açúcar, antes do descobrimento do Brasil. O açúcar português era produzido nas ilhas de Madeira, Açores e Cabo  Verde.

Portanto, não se tratava de uma atividade agrícola e comercial desconhecida. Atrelado a isso está o fato de que o açúcar se tratava de uma especiaria, “dono” de um mercado em expansão na Europa. Mas um dos fatores mais determinantes foi a semelhança entre os climas e condições ecológicas das ilhas atlânticas e do Brasil, principalmente do nordeste brasileiro, muito favoráveis ao plantio de cana-de-açúcar.

A fundação dos engenhos de açúcar tinha como objetivo povoar a colônia e assegurar a posse para os portugueses. Os engenhos se encaixavam no sistema econômico das plantations, ou seja, extensas plantações de um determinado gênero agrícola – no caso, a cana-de-açúcar –, produzindo mercadorias que fossem exportadas para o mercado europeu. Em decorrência desse sistema, as plantations faziam com que em todas áreas onde fossem implantadas, a policultura se tornasse atividade de caráter secundário e extremamente restrito.

A pecuária nordestina foi importante como atividade secundária. De grande importância na produção e manutenção do sistema açucareiro, na medida em que o gado criado em áreas próximas às plantações de cana- de-açúcar e aos engenhos era utilizado como força motriz para movimentar as moendas, meio de transporte para levar cargas e trabalhadores, vestuário – com a utilização do couro do animal – e fonte de alimento. A interiorização da pecuária se tornou um processo de singular importância na ocupação de novas terras pelos portugueses, como veremos.

Podemos resumir o sistema de plantations da seguinte maneira: uma grande propriedade agrícola, trabalhada em sua imensa maioria por escravos, com tendência a autossuficiência, cuja produção se voltava quase que exclusivamente para o mercado externo.

Representação do comércio triangular, onde o tráfico e comércio de escravos era um dos vértices do triângulo.

Conhecida   por Portugal desde antes do descobrimento do Brasil, a escravidão negra veio com a ocupação portuguesa de faixas litorâneas do continente africano. A Igreja Católica havia garantido monopólio desse tipo de atividade à monarquia portuguesa, fazendo com que muitos homens negros fossem introduzidos em Portugal como escravos domésticos. A utilização do trabalho escravo negro se deu também nas ilhas atlânticas.

Mas a égide da questão da utilização dos negros como escravos – e, em especial, do tráfico negreiro – está sustentada no conhecido comércio triangular. Resumidamente, poderíamos afirmar que o negro era uma das moedas que possibilitavam o comércio marítimo entre a América, a África e a Europa.

O desembarque desses homens era realizado nas áreas portuárias, principalmente do Nordeste brasileiro, região que mais recebeu escravos no início da colonização. Nos portos era possível perceber o desenvolvimento de um intenso e movimentado comércio. Escravos eram trocados por cachaça, tabaco e outros produtos. Até o final do século XVII a média de escravos negros trazidos para o Brasil chegava próximo aos 8.000 homens por ano.

Os escravos constituíram a base do sistema produtor de açúcar, bem como da estrutura colonial. Em grande medida, foram esses homens que possibilitaram o sucesso do projeto colonizador. Os engenhos de açúcar eram, na maioria, movimentados pelo braço do negro escravizado.

O comércio de escravos ocorria nas vilas litorâneas das áreas metropolitanas e coloniais e envolvia a troca de mercadorias entre a América, a Ásia e a Europa.

Invasões francesa e holandesa no Nordeste

Desde os primórdios da história do Brasil, franceses invadiram diversas regiões do Nordeste. Quer um exemplo? Em Marechal Deodoro, Alagoas, tem uma praia que se chama “Praia do Francês”. Isso porque os franceses invadiram a área, chegando a construir um “leprosário”.

Em 1612, os franceses invadiram a costa norte do Maranhão, com o claro objetivo de criar ali uma colônia, a França Equinocial. Porém, no final de 1615, os portugueses conseguiram retomar a área.

 As invasões holandesas também marcaram a história nordestina.

Em 1580, com a morte do rei português D. Henrique I, o rei Filipe II de Espanha assumiu também o trono português, com o título Felipe I, assim surgindo uma união entre os dois países ibéricos, a União Ibérica (1580-1640). As Províncias Unidas dos Países Baixos (Holanda), de domínio espanhol, se voltou contra os espanhóis, e, consequentemente, os portugueses, em virtude da união das coroas. Válido lembrar que os holandeses sabiam que os negócios com os portugueses iriam se encerrar com a União Ibérica.

Em 1624, os holandeses tomaram a capital do Brasil, Salvador, que só voltou para as mãos portugueses no ano seguinte. Com isso, os invasores miraram o principal centro econômico brasileiro, a Capitania de Pernambuco. De 1637 à 1654 a área ficou sob controle dos holandeses.

Com a expulsão dos holandeses, houve uma queda vertiginosa da importância da economia açucareira nordestina para o mercado mundial. Isso porque se encerram em definitivo todo o suporte oferecido pelos holandeses, bem como este levaram a produção de açúcar para as ilhas caribenhas que haviam ocupado, criando uma concorrência que não deu chance à produção nordestina.

Em nosso próximo texto encerraremos a análise sobre a história do Nordeste, analisando mais alguns dados. Até lá!

Exercício de revisão

1) Faça uma pesquisa sobre o Quilombo dos Palmares.

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